terça-feira, 12 de abril de 2011

Um bom começo


A presidenta Dilma Rousseff (na foto com o presidente da China Hu Jintao), e o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, anunciaram hoje (12 de abril) que a Apple e a Foxconn vão fabricar iPads no Brasil. Segundo Mercadante, a produção vai começar em novembro.

Vamos torcer para que a nova fábrica também monte MacBooks, MacBooks Pro, iMacs, Macs mini e Macs Pro. Com a produção nacional, o preço dos produtos Apple vai cair dramaticamente, derrubando o maior obstáculo à popularização da plataforma no país.

Ontem, alguns sites divulgaram notícias sobre uma suposta mudança da razão social da Apple Brasil na Junta Comercial do Estado de São Paulo para incluir atividades industriais. A informação foi desmentida pela própria Apple.

Até o fim da tarde, a Apple e a Foxconn, não haviam confirmado a informação sobre a nova fábrica. A Foxconn, um dos fabricantes terceirizados de produtos Apple na China, já te fábrica no Brasil.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Os 10 anos do sistema que já nasceu 10

Ele já faz parte das nossas vidas, tanto que já não conseguimos imaginar nossos Macs sem ele. Fruto da reconciliação da Apple com Steve Jobs, o Mac OS X completou 10 anos no dia 24 de março. É verdade que nossa convivência com o novo sistema nem sempre foi tão boa. O começo foi bem difícil, mas aos trancos e barrancos o Mac se tornou, além de amigável, uma plataforma robusta e estável.

Nos anos 90, a Apple buscava criar as bases do Mac OS do futuro: um sistema com multitarefa preemptiva e memória protegida, livre de bombas e de erros tipo 10, 11, 12 e similares. Seria o Mac OS 8, codinome Copland. Depois de uma sequência de prazos não cumpridos, atrasos intermináveis e muito tempo e dinheiro desperdiçados, engenheiros e executivos da companhia perceberam que não teriam sucesso na tarefa de reescrever o sistema. Foi aí que surgiu a ideia de comprar um sistema operacional já existente, incorporando a ele uma interface gráfica Mac.

A primeira opção estudada foi a compra da Be Inc, empresa fundada por um ex-vice-presidente da Apple, Jean-Louis Gassé, que tinha um sistema que já rodava em Macs e computadores Mac-compatíveis (lembrem-se que estávamos na época dos clones) com processador PowerPC, o BeOS – que mais tarde viria a ganhar versão para PCs Intel.



Correndo por fora, eis que surge a NeXT, empresa fundada por Steve Jobs após sair da Apple, em 1985. A NeXT, que chegou a produzir computadores de 1987 a 1993, com processadores da família Motorola 680x0 (os mesmos dos Macs 68k), havia-se transformado em uma empresa de software. Seu sistema operacional, o NeXTStep (captura acima), foi portado para as arquiteturas Intel x86, PA-Risc e Sparc. Era um sistema do tipo Unix, baseado no kernel Mach mais o código-fonte do BSD, com suporte à linguagem Objectvive-C e à programação orientada a objetos.

No dia 20 de dezembro de 1996, a Apple anunciou a compra da NeXT e a volta de Steve Jobs à companhia, como consultor. Paralelamente ao desenvolvimento do novo sistema, que aproveitaria a base da NeXT, a Apple continuou o desenvolvimento do Mac OS clássico, incorporando ideias do finado projeto Copland. Já o novo OS, com o codinome Rhapsody (posteriormente Mac OS X, onde X é 10 em algarismo romano), teria uma estrutura modular, incorporando aos sólidos fundamentos Unix uma “interface Mac avançada”, suporte aos aplicativos clássicos. Em julho de 1997, com a demissão de Gil Amelio, Steve Jobs assumiu o posto de CEO interino (o adjetivo “interino” perduraria até 2000).

No dia 16 de março de 1999, surge o primeiro fruto do Rhapsody, o Mac OS X Server 1.0. Era, basicamente, um sistema com a base do NeXTStep e a interface do Mac OS 9. Mas o Mac OS X propriamente dito só teve seu primeiro beta público lançado em setembro de 2000. O sistema pronto (ou quase) só veria a luz do dia em 24 de março de 2001, como eu disse lá no início.


O Mac OS X 10.0 Cheetah (captura acima) não estava completo: tinha uma série de lacunas, inconsistências e falhas de desempenho e funcionalidade. Era, na prática, um sistema beta pago, tanto que o update para a versão 10.1 Puma, em setembro de 2001, foi gratuito. Um ano depois chega o OS X 10.2 Jaguar, trazendo mais recursos e melhor desempenho. O Exposé, que é uma mão na roda, aparece no Panther (10.3), lançado em outubro de 2003. Até aqui, todos os updates deixavam o sistema mais rápido.

O OS X 10.4 Tiger demorou um pouco mais para aparecer: chegou em abril de 2005, preparando a ainda não anunciada transição da arquitetura PowerPC para Intel x86. Foi – foi não, é, ainda tenho em casa um eMac rodando o Tiger 10.4.11 – o primeiro Mac OS portado para Intel. Um ano e meio depois surge o Leopard (10.5), o primeiro sistema descendente do BSD a receber certificação Unix e o último Mac OS X a suportar a arquitetura PowerPC.

O Mac OS X atual, versão 10.6 Snow Leopard, chegou em agosto de 2009. Rodando exclusivamente em Intel, está otimizado para a nova arquitetura. No próximo inverno deve chegar o Lion (10.7), que promete incorporar alguns recursos do iOS (sistema derivado do OS X que roda no iPhone, iPod Touch e iPad).

Nesse período, nem todas as mudanças foram bem-vindas, mas a chegada do OS X trouxe mais ganhos do que perdas. Perdemos as janelas que viram abas e a lupa que permitia navegar pelas pastas, do OS 8, e o ícone do Mac feliz na inicialização, que existia desde o System 1.0, mas ganhamos o Exposé e o Spotlight. Perdemos o menu Apple customizável, mas ainda podemos usar menus hierárquicos para navegar por discos e pastas se arrastarmos o ícone para o lado direito do Dock e escolhermos a visulaização por lista.

Parabéns atrasado, Mac OS X!

quinta-feira, 3 de março de 2011

iPad 2, mais do mesmo


Diversas piadas infames circularam na rede após Steve Jobs apresentar ontem a segunda geração do iPad: “iPad 2: mais fino que Steve Jobs”, “Steve Jobs 2, 33% mais fino que a versão anterior” e outras do gênero. O CEO da Apple está de fato mais magro do que antes e a nova versão da tablet da Apple está 33% mais leve e mais fina.

O novo processador é o A5 dual-core de 1 GHz, que promete o dobro do desempenho da CPU anterior, um chip A4 com o mesmo clock. A tela é a mesma, de 9,7 polegadas, com resolução de 1.024 por 768 pixels. Confirmando o boato, o equipamento vem com duas câmeras, uma frontal (640 por 480 pixels) para videoconferência, e outra na parte traseira, 720p. Jobs não revelou quanto o novo iPad tem de memória, mas há rumores de que tenha duplicado, passando de 256 para 512 MB.

Nos EUA, ele estará a venda a partir da sexta-feira da semana que vem, com preços que variam de US$ 499 (16 GB Wi-Fi) a US$ 899 (64 GB Wi-Fi + 3G). Não há previsão de lançamento no Brasil.

Durante o evento, o vice-presidente sênior de software iOS da Apple, Scott Forstall, apresentou a nova versão do sistema operacional, a 4.3, que promete melhor desempenho e mais facilidade de uso. No mais, é aquele sistema limitado e fechado que não permite ao usuário sequer instalar os programas que quiser. Mas há quem goste, tanto que o iPad é líder de mercado na categoria.

Ainda não foi dessa vez que o Mac OS X chegou ao iPad :-(

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Alta performance


No aniversário de Steve Jobs, quem ganha o presente é você! Parece texto de comercial de varejo, mas poderia ser uma introdução à nova linha MacBook Pro, apresentada hoje pela empresa de Cupertino. Equipados com processadores Intel de até quatro núcleos, os novos modelos prometem uma performance surpreendente – graças também às tecnologias de Turbo Boost 2.0 (que eleva o clock até 3,4 GHz), Hyper-Threading (que dobra virtualmente os núcleos dos processadores), controladora integrada à memória, chip gráfico AMD Randeon com até 1 GB de memória dedicada e a nova porta Thunderbolt.

A tecnologia de transmissão de dados Thunderbolt tem dois canais de 10 Gbps, garantindo uma velocidade de entrada e saída até 12 vezes mais rápida que a FireWire 800 e 20 vezes mais rápida que a USB 2.0, permitindo o encadeamento de até seis dispositivos, incluindo a tela do laptop. Mas as conexões FireWire 800 e USB 2.0 continuam presentes.

Outra novidade é a câmera FaceTime de alta definição. Também estão presentes o Magic Trackpad e a bateria com duração de até sete horas.

Na Apple Store, os preços da nova linha MacBook pro começam em R$ 3.599,00 (modelo de 13 polegadas). Saiba mais no site da Apple Brasil.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Limpeza estética

Para você que é designer ou é um leigo, como eu, que se interessa por design, um filme imperdível é Helvetica, um documentário sobre o tipo (“fonte”) homônimo. Criada em 1957, a Helvetica ficou associada ao modernismo e à escola Bauhaus. Disponível nos torrents da vida, o longa aborda a onipresença da fonte, que pode ser vista em logotipos, anúncios, placas de sinalização, luminosos e tantos outros lugares. Essa superexposição do tipo divide a opinião dos designers.

Um dos detratores cita a versão “genérica” da Helvetica, a Arial – uma praga que se disseminou graças à Microsoft, que obteve o licenciamento da fonte por ser mais barata que a original. Criada em 1982, a Arial virou uma das fontes padrão do Windows 10 anos depois, tornando-se uma espécie de Helvetica dos países emergentes. É mais um dos efeitos nefastos da popularização do sistema da Microsoft como “padrão de mercado”. A Apple, por sua vez, paga os royalties à Linotype, por isso o Mac já vem com a Helvetica original instalada.


Se o uso da Helvetica pode ser visto como falta de criatividade ou mais do mesmo, o que se dirá de sua imitação barata? Enquanto a original divide opiniões, a Arial é unaminidade: não existe no mundo tipo mais medonho. Embora os dois tipos sejam assemelhados, a diferença entre eles salta aos olhos em alguns caracteres, como as letras maiúsculas R, G e C, as minúsculas a e t e os números 1 e 2. Se você é bom observador, vai se dar bem nesse quiz: qual é a original (Helvetica)? Das 20 questões, 18 são facinhas. Mattel e Toyota, em caixa alta, não são tão óbvias e exigem olhos muito bem treinados.


Se você, como eu, não suporta a Arial, existe um jeito fácil de se livrar dela: abra o aplicativo Catálogo de Fontes.app, selecione todas as versões da famigerada, control-clique (ou clique com o botão direito nos mouses de múltiplos botões, ou ainda clique com os dois dedos no Magic Trackpad) e selecione “Desativar Fontes” no menu contextual. Imediatamente, se você abrir o Safari, por exemplo, todas as páginas que estariam em Arial passam a exibir a Helvetica. Desativar a fonte é mais seguro que deletar, porque se você tiver problema com algum aplicativo, como os do pacote Office, da Microsoft, basta reativar a desgraçada.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O hino dos excluídos do mundo Mac

Os Seminovos, Eu não tenho iPhone

Eu vejo dedos deslizando sobre a tela
E penso: "Como eu queria ter uma coisa daquela!"
Fico triste quando vejo a marca da maçã mordida
Ela me lembra que eu não estou bem de vida

Que vergonha do meu celular que tem teclinha
É um modelo made in China de segunda linha
Sou revoltado mas eu tenho meus motivos
Essa merda que eu comprei não roda aplicativos!

(Refrão:)
Eu não tenho iPhone
Eu não tenho iPod
Eu não tenho iPad
Aí fode
Porque com o que eu ganho
Eu só consegui ter
Um pré-pago sem 3G

O velho desktop é uma outra dor minha
Tem monitor de tubo e mouse com bolinha
Meus amigos levam seus iBooks numa mão
Mas meu computador só sai de caminhão

Malditos geeks sempre descolados
Pra eles usuário de Windows é um pobre coitado
Vivem perguntando por que eu não compro um iMac
Mas ninguém me diz: "Deixa que eu pago! Pegue o cheque!"

Alívio!


Outra foto divulgada no Flickr da Casa Branca mostra Steve ao lado de Obama.

Futuro incerto

Agências de notícias informam que o CEO licenciado da Apple, Steve Jobs (fotos), participou ontem à noite do encontro do presidente dos EUA, Barack Obama, com executivos do Vale do Silício. Apesar de o encontro ter ocorrido a portas fechadas, a Casa Branca divulgou uma única imagem da reunião, onde se vê Obama em conversa com Mark Zuckerberg, do Facebook, Carol Bartz, do Yahoo, e Eric Schmidt, do Google.

A ausência de Jobs na foto só faz aumentar o mistério, a especulação e a boataria sobre seu estado de saúde. Ontem, o tabloide sensacionalista National Enquirer publicou matéria informando que o cofundador da Apple teria apenas seis semanas de vida. A previsão foi feita pelos médicos Gabe Mirkin e Samuel Jacobson, que não tiveram acesso ao prontuário de Jobs, com base em fotos que mostram um homem extremamente magro e debilitado, supostamente o CEO da Apple. Segundo Mirkin, as fotos mostram perda extrema de massa muscular, inclusive nos glúteos, último local onde o corpo busca energia. “Está em estado terminal”, diagnostica. Jacobson vai além: “Diria que tem apenas mais seis semanas”, prevê.


Steven Paul Jobs, que completa 56 anos na próxima quinta-feira, nasceu em San Francisco, na Califórnia. No dia 1.º de abril de 1976, juntamente com o amigo Stephen Gary Wozniak, um gênio da eletrônica, fundou a Apple Computer, que lançou seu primeiro computador pessoal, o Apple I, em forma de kit. No ano seguinte veio o Apple II (ou Apple ][), trazendo novidades como gráficos coloridos, armazenamento em disquetes de 5,25 polegadas e um “aplicativo matador”, a planilha Visicalc.

Impressionado ao ser apresentado à interface gráfica com o usuário (GUI) numa visita aos laboratórios da Xerox, em 1979, Jobs foi responsável pelo lançamento comercial dessa tecnologia, com os sistemas operacionais do Apple Lisa (1983) e do Apple Macintosh (1984). O sucesso do Mac fez a GUI ser copiada por outros sistemas, como o Atari ST, o Commodore Amiga e o Microsoft Windows. O próprio Apple ][ chegou a ter uma interface gráfica em seus últimos modelos.

Expulso da companhia em 1985, após um embate com o então CEO, John Sculley, Steve Jobs fundou a NeXT, empresa de computadores que lançou um sistema operacional gráfico baseado em Unix, o NeXTStep. Em 1986, comprou da Lucasfilm a produtora de animação Pixar, responsável por filmes de sucesso como Toy Story.

Na Apple, os anos 90 foram marcados por sucessivos atrasos no projeto de um sistema operacional mais robusto e moderno, várias trocas de CEO e anos de balanço no vermelho. Em 1996, a Apple comprou a NeXT de Steve Jobs, trazendo-o de volta à companhia como consultor especial e usando o NeXTStep como base para o futuro sistema operacional do Mac, que viria a ser o Mac OS X. Logo depois Jobs se tornou “CEO interino”, sendo responsável pelos lançamentos das linhas PowerMac G3 e iMac. A Apple voltou a ser sinônimo de inventividade tecnológica e design de vanguarda. Até a arquirrival Microsoft decidiu investir na Apple, comprando ações sem direito a voto.

No novo milênio, a Apple, sob o comando de Jobs (a essa altura CEO sem o adjetivo “interino”), lançou o OS X, o iTunes, o iPod, o iPhone e o iPad. Também promoveu a migração dos Macs da arquitetura Risc PowerPC para a arquitetura x86 da Intel, permitindo que o Windows e as distribuições x86 do Linux rodem nativamente no Mac, ao mesmo tempo em que o OS X, com algumas gambiarras, possa rodar em PCs genéricos.

O que seria da Apple sem Steve Jobs? É essa incerteza que, aliada aos rumores sobre a saúde do CEO, provocou a queda das ações da companhia. Vamos torcer para que as fofocas não se confirmem e que Jobs se recupere plenamente e reassuma o comando da Apple. Também esperamos que, em caso de afastamento do cofundador, a empresa consiga caminhar pelas próprias pernas e manter sua trajetória de sucesso e inovação.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Em alta

A tendência de queda na circulação de revistas e jornais impressos do mundo inteiro parece não afetar uma publicação britânica especializada em Mac. A editora Future Publishing anunciou ontem o aumento de 6% na circulação paga da MacFormat em 2010. De janeiro a dezembro do ano passado, a revista vendeu em média 28.904 exemplares, dos quais 19.884 foram distribuídos no Reino Unido e na República da Irlanda e o restante em outros países.

Publicada mensalmente desde 1993, a MacFormat é velha conhecida dos macmaníacos, inclusive no Brasil. Em meados dos anos 90, quando o acesso à internet engatinhava no país, ainda via linha discada, a publicação era muito popular na comunidade Mac, por trazer CDs com jogos, utilitários, recursos de sistema e outros softwares úteis. Atualmente, adquirir um exemplar tornou-se impraticável devido ao alto custo, em torno de R$ 100. É praticamente o valor de uma assinatura anual da versão digital.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O Mac também fala pecezês

Um dos mitos mais propagados no mundo PC é o de que o Mac seria uma máquina “menos compatível”. Uma bobagem, já que há mais de 20 anos é possível ter um PC IBM-compatível dentro do Mac, enquanto o inverso só se tornou possível bem mais recentemente.

Emuladores são velhos conhecidos dos usuários Mac. Já nos anos 80, os Macs conseguem rodar outros sistemas operacionais graças a esse tipo de programa, que imita um hardware via software. O primeiro exemplo bem-sucedido foi o SoftPC, da Insignia Solutions, que emulava um IBM PC XT, com processador 8088, em um Mac com chip Motorola 68020. Rodava programas de DOS. Em 1994, foi lançado o SoftWindows, que permitia rodar o Windows 3.1 e seus programas no Mac, numa velocidade aceitável. Mais tarde, a Insignia passaria a sofrer a concorrência da Connectix, com o VirtualPC, posteriormente adquirido pela Microsoft.

Cartão de compatibilidade DOS da Apple

A Apple não desencorajou iniciativas como essa. Pelo contrário, até passou a oferecer soluções de hardware, que dispensavam a tradução do código x86 para 68k ou PPC. Eram os famosos cartões de compatibilidade DOS, placas de PC com processador Intel 80486 ou Pentium que vinham espetadas nos slots PDS, NuBUS ou PCI, conforme a versão do Mac. Embora essas máquinas fossem comandadas pelo Mac OS, podiam rodar Windows nativamente. O HD era particionado e, apesar de cada sistema ter sua própria memória, a área de transferência podia ser compartilhada entre os dois. O usuário alternava entre os dois sistemas com uma simples combinação de teclas (command + return). Alguns modelos de Performa e Power Macintosh vinham com esses cartões instalados de fábrica.

E emular Mac em outros sistemas? No Amiga, da Commodore, era possível emular o Mac desde 1988. Como o Amiga também usava CPUs da família 68k, não havia necessidade de emular o processador. Com a transição para o PowerPC, o último chip 68k usado no Mac foi o 68040. O Amiga, por sua vez, chegou a usar o processador 68060, mais veloz e capaz de trabalhar a clocks maiores. Por isso, um Mac virtualizado pelo ShapeShifter ou pelo Fusion em um Amiga com CPU 060 oferecia mais velocidade que um Mac 68k real.

Para PC, desde 1990 um emulador chamado Executor permite rodar programas de Mac sem rodar o Mac OS de verdade. Só em 1999, com o Basilisk II, conseguiu-se uma emulação aceitável do Mac OS no Linux. O Basilisk II foi posteriormente portado para DOS, Windows e até para o Mac OS X!


Mac OS 8.1 rodando, via Basilisk II, em um MacBook com OS X 10.6.5

Como? Emular Mac no Mac? Sim! Nos novos Macs com processador Intel, a única forma de rodar programas do Mac OS clássico é emulando um Mac 68k com o Basilisk II ou um Mac PowerPC com o SheepShaver ou o PearPC. Nas transições de processador (68k para PowerPC e PowerPC para Intel), a Apple empregou emulação, no caso para traduzir o código de programas antigos para o novo chip. Também na mudança do sistema clássico para o OS X, houve uma espécie de virtualização com o entorno Classic, que permitia rodar programas antigos dentro do Mac OS X.

Mesmo antes da volta de Steve Jobs, a Apple já vinha progressivamente adotando cada vez mais componentes padrões da indústria. Isso significa que os Macs estavam ficando cada vez mais parecidos (e compatíveis) com PC. Mas nada comparado à revolução anunciada por Jobs em 2005, quando a Apple migrou para os processadores Intel. Em termos de hardware, a única diferença significativa entre um Mac e um PC genérico é o dispositivo de boot. Enquanto os PCs têm uma ROM que roda o programa BIOS, o Mac usa a Extensible Firmware Interface (EFI).



Hackintosh: como transformar um PC barato em um Mac (sem autorização da Apple)

Com isso, os Macs podem rodar Windows nativamente, graças a um programa da Apple chamado Boot Camp, que instala o BIOS na EFI e permite dual-boot. A recíproca é verdadeira: com algumas gambiarras, PCs genéricos podem rodar o Mac OS X em código x86. É o chamado “Hackintosh”, que funciona até em alguns netbooks. A Apple não autoriza essa prática. A licença de uso do Mac OS X só permite que ele seja instalado em máquinas da Apple.

Windows Internet Explorer rodando no Windows XP em uma máquina virtual do Parallels, no OS X 10.6.5: integração total entre os dois sistemas

Se o Boot Camp ainda não tem a flexibilidade dos antigos Macs DOS-Compatible ou PC-Compatible, a solução é usar virtualizadores como o Parallels Desktop ou o VMWare Fusion, que permitem rodar o Windows dentro do Mac OS X, em uma máquina virtual, sem necessidade de emular o processador e com transparência e integração entre os dois sistemas. Há ainda o CrossOver e o Wine, que possibilitam rodar programas de Windows sem precisar rodar Windows, usando apenas algumas bibliotecas do sistema da Microsoft. E agora digam, quem que não é compatível?

Microsoft Visio rodando no Mac OS X via Crossover

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mac na mídia

As mais tradicionais revistas de Mac brasileiras – a antiga Macmania e sua sucedânea, a Mac+ – sempre dedicaram um espaço às aparições de máquinas e sistemas operacionais da Apple em TV, cinema e publicidade. No Brasil, a visibilidade do Mac praticamente se limita a essas aparições ocasionais, já que a Apple veicula pouquíssima publicidade por aqui. Em 15 anos de presença no país, a empresa deve ter exibido apenas dois ou três comerciais em TV aberta, por exemplo. Em revistas e jornais, houve alguma presença significativa em meados dos anos 90, mas ficou nisso.

Nos EUA, a Apple veiculou algumas das mais criativas campanhas da história. O comercial de lançamento do Mac, em 1984, dirigido por Ridley Scott, e as campanhas que se seguiram à segunda vinda de Steve Jobs, em 1998, como as séries Think different e Mac vs. PC, são exemplo dessas peças memoráveis. Confira algumas dessas peças:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Vai ter iPad pra todo mundo?


Mesmo sendo o mais caro do mundo, o iPad superou as expectativas em seu primeiro dia de vendas no Brasil. Algumas versões com conexão 3G já estavam em falta em alguns sites que comercializam o produto.

Fontes do setor garantem, porém, que os estoques serão repostos e não deve faltar iPad no Natal dos brasileiros. O primeiro lote trazido pela Apple tem “apenas” 50 mil equipamentos. Para efeito de comparação, esse é o número de Macs vendidos por ano no Brasil. Será que um brinquedinho que roda um sistema operacional limitado e engessado e que chega a custar quase o mesmo que um Mac vai vender em um mês tanto quanto este em um ano?

Confira os preços do iPad:

Wi-fi Wi-fi + 3G
16 GB R$ 1.649 R$ 2.049
32 GB R$ 1.899 R$ 2.299
64 GB R$ 2.199 R$ 2.599

O Mac mais barato no Brasil, o Mac mini básico, custa R$ 2.699, apenas R$ 100 a mais que o iPad na sua configuração mais completa. É preciso lembrar, no entanto, que o mini não inclui teclado, mouse e monitor, que devem ser comprados à parte. Mas as versões básicas do Macbook e do Macbook Air custam a partir de R$ 3.199, preço que pode cair até para R$ 2.699 em algumas promoções de revendas autorizadas.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A era da interface engessada

Mais de 10 meses depois de ser apresentado pela Apple e oito meses depois de seu lançamento no mercado americano, chega amanhã, à meia-noite (0h de sexta-feira), ao mercado brasileiro, o iPad, tablet da Apple que roda o iOS, o sistema operacional do iPhone e do iPod Touch. Quem já usou conta que a experiência é revolucionária. Até pessoas que nunca tiveram a menor familiaridade com tecnologia se sentem à vontade para usá-lo.

Para os usuários acostumados com o Mac OS e o Mac OS X, o choque é inevitável. O usuário não pode instalar os programas que quiser (a não ser que faça o jailbreak), não sabe onde os arquivos estão salvos, não consegue customizar a interface e não pode sequer mudar o formato de hora no relógio.

Pensando bem, mudar o formato do relógio não dá mais para fazer nem no Mac OS X Snow Leopard. Em versões anteriores do sistema, o relógio obedecia ao formato de hora configurado pelo usuário no painel de preferências Internacional (até o Mac OS X 10.4 Tiger) ou Idioma e Texto (a partir do 10.5 Leopard). Agora, o relógio insiste em exibir o símbolo das unidades de tempo no sistema anglo-saxão (:), mesmo que o usuário tenha configurado manualmente as preferências para os símbolos dessas unidades no sistema internacional (h, min e s). Confira nas capturas de tela abaixo:




Para resolver esse problema, tive que apelar para um programa (na verdade, um painel de preferências) chamado iClock pro, que traz ainda outros recursos, como exibir a fase da Lua na barra de menus e um prático calendário.

Made in Brazil

Há algumas semanas, causou frisson no mercado a declaração do empresário Eike Batista de que pretende instalar uma montadora de produtos Apple no Brasil. Ele disse que está negociando diretamente com fabricantes chineses terceirizados para posteriormente obter a aprovação da Apple e fechar o negócio. Um dos fabricantes chineses de produtos da maçã é a Foxconn, que já tem fábrica no Brasil. Na China, ela produz iPhones e iPads. Recentemente, recebeu encomenda para a produção de Macbooks. Se a promessa de Eike sair do papel, teremos Macs livres do imposto de importação, portanto muito mais baratos. Vamos aguardar.


O que pouca gente se lembra é que a Apple já montou Macs low-end no Brasil, por volta de 1997. O modelo escolhido foi o Macintosh Performa 6360 (foto acima). Tinha CPU PowerPC 603e rodando a 160 MHz, 8 MB de RAM soldados na placa lógica e dois slots DIMM de 168 pinos compatíveis com módulos de 8, 16, 32 e 64 MB cada, HD de 1,2 GB, leitor de CD 8x e drive de disquete. Suportava as seguintes versões do software de sistema: System 7.5.3, System 7.5.5, Mac OS 7.6, Mac OS 7.6.1, Mac OS 8.0, Mac OS 8.1, Mac OS 8.5, Mac OS 8.6 e Mac OS 9. O form factor (gabinete) era o mesmo do bom e velho Quadra 630.

A linha Performa representou a tentativa da Apple de recuperar terreno no mercado doméstico, dominado pelos PCs Windows. Embora seus preços fossem competitivos, esses Macs tinham limitações de performance e de upgrade.



Foi nessa época que a Apple desenvolveu sua breve política de clones, licenciando o Mac OS para outros fabricantes, tais como a Power Computing (foto acima), Umax, Genesis e Motorola. A ideia era transformar a plataforma PowerPC em um novo padrão de mercado, substituindo os PCs padrão IBM rodando Windows. Não deu certo: os Mac-compatíveis não roubaram mercado dos PCs, apenas canibalizaram a venda dos Macs da Apple. Talvez a política de licenciar o sistema tivesse funcionado se fosse adotada desde o lançamento do Macintosh, em 1984. Uma das primeiras medidas de Steve Jobs ao voltar para a empresa que fundou foi acabar com os clones.

Nos últimos 5 anos, voltou-se a falar em clones. Com a migração para os processadores Intel (e, consequentemente, para o código x86), tornou-se possível, com algumas gambiarras, instalar e rodar o Mac OS em PCs comuns, desde que bem configurados. Tal prática, porém, não é autorizada pela Apple.

Hoje, o que a empresa faz é terceirizar a produção, mas sempre vendendo os Macs com a sua marca. E é justamente essa montagem terceirizada que Eike Batista quer trazer para o Brasil.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

À Oracle o que é da Oracle


Matéria publicada hoje no site britânico IT Pro confirma: a Apple transferiu para a Oracle o controle da plataforma Java no Mac. Por enquanto, a Apple continua responsável pelo Java SE (Standard Edition) 6, fornecido com o Mac OS X 10.6 Snow Leopard. O Java SE 7 e os futuros lançamentos do OpenJDK (Java Development Kit) para Mac OS X ficarão a cargo da Oracle.

Neste ano, o fato de o Mac usar um Java proprietário criou transtornos para usuários mais antigos. Os programas da Receita Federal para fazer e enviar a declaração do Imposto de Renda exigiam uma versão atualizada do Mac Java, incompatível com Macs mais antigos, equipados com processador PowerPC e rodando o Mac OS X 10.4 Tiger.

I read the news today, oh boy


Por quase três décadas, a Apple Corps Ltd. (empresa multimídia fundada pelos Beatles em 1968) e a Apple Computer Inc. (fundada em 1976 por Steven Paul Joves e Stephen Gary Wozniak e denominada simplesmente Apple Inc. a partir de 2007) travaram longas disputas judiciais pelo uso da marca. O primeiro acordo entre as duas empresas foi firmado em 1981, quando a gravadora dos Beatles se comprometeu a não entrar no negócio de computação e a empresa de tecnologia assumiu o compromisso de não atuar no ramo de música. Mas, logo depois, o Apple II GS e a linha Macintosh ganharam capacidades multimídia, levando a empresa dos Beatles a mover novo processo. Vem daí o nome daquele famoso som de alertaSosumi, que soa como “So sue me” (“Então me processe”).


O acordo definitivo entre as duas Apples só veio em 2007. Hoje, 37 anos depois da primeira aparição do quarteto britânico na tevê americana, a Apple Inc. anunciou a chegada dos Beatles à iTunes Store. Agora, os 13 álbuns da banda que revolucionou a música e os costumes do mundo estão disponíveis no serviço de venda de conteúdo da Apple. Cada música custa US$ 1,29. O preço de cada álbum é US$ 12,99 (simples) ou US$ 19,99 (duplo).

A iTunes Store ainda não está disponível no Brasil.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pacotaço de correções


Como anunciamos no post anterior, a Apple disponibilizou ontem nova atualização do Mac OS X 10.6 Snow Leopard, que chega agora à versão 10.6.5. O pacote inclui uma atualização de segurança (Security Update 2010-007), oferecida separadamente para quem ainda usa o 10.5 Leopard. Foram corrigidas mais de 130 vulnerabilidades. Porém, de acordo com o especialista em segurança Charlie Miller, ainda há várias brechas sem correção.

O Flash é responsável por pelo menos 55 das vulnerabilidades corrigidas. Diferentemente de outras empresas, a Apple oferece seu sistema operacional junto com o Flash Player e fica responsável pelas correções. Há indícios de que isso possa mudar. Lançado há três semanas, o novo MacBook Air é vendido sem o Flash instalado. Para analistas, não seria nenhuma surpresa se a Apple fizesse o mesmo com outros modelos e separasse o Flash do Mac OS X. A tecnologia da Adobe tem sido pivô de uma briga entre as duas empresas desde 2007. Para Steve Jobs, o Flash é “inseguro e ultrapassado”, tanto que não é suportado no iPhone, iPod e iPad.